Mars ChallengePesquisarParticipar

Mars Challenge · Edição atual 2027

Há problemas que não vêm com respostas. É aí que entras.

Não precisas de saber construir um foguetão.

Nem de estudar engenharia.

Mars Challenge coloca-te numa equipa perante um problema que não tem uma solução pronta.

Vais investigar. Fazer perguntas. Ouvir pessoas que pensam de outra maneira. Escolher entre alternativas imperfeitas. Construir. Testar. Falhar. Corrigir. Apresentar. Defender uma decisão.

O objetivo não é provar que sabes tudo.

É descobrir o que consegues fazer com aquilo que sabes — e com aquilo que ainda tens de aprender.

A edição atual é 2027. Os exemplos, regras e percursos de 2026 nesta página são referências históricas; confirma as condições de 2027 antes de participar.

Nesta página

01 / Não precisas de saber de foguetões

Não precisas de saber de foguetões.

O Mars Challenge não procura apenas engenheiros, programadores ou especialistas em espaço.

Procura pessoas que consigam trazer uma perspetiva.

Podes vir de engenharia, design, direito, psicologia, gestão, comunicação, saúde, educação, economia, arte, ciências sociais, humanidades ou de outra área.

Também podes ainda não saber exatamente qual é “a tua área”.

Isso faz parte do processo.

A própria Guia do Participante deixa uma ideia clara:

não precisas de ser especialista para começar.

Vais precisar de fazer boas perguntas, investigar bem, distinguir aquilo que sabes daquilo que estás apenas a assumir e trabalhar com pessoas que conseguem ver partes do problema que tu não vês.

Não saber ainda a resposta não é uma falha.

É o ponto de partida.

02 / Aqui não és espectador

Aqui não és espectador.

No Mars Challenge, as pessoas jovens participantes chamam-se Zers.

Mas o nome é menos importante do que o papel.

Tu és autor.

A ideia é tua e da tua equipa.

O problema é vosso para investigar.

As escolhas são vossas.

O projeto é construído por vocês.

E, quando chegar o momento de o apresentar, são vocês que têm de explicar:

Porque escolheram este problema?

Em que evidência confiaram?

Que alternativas rejeitaram?

Porque decidiram desta maneira?

O que pode correr mal?

Quem é afetado por esta solução?

Porque deveria alguém acreditar nela?

Mars Challenge não foi desenhado para te dizer o que pensar.

Foi desenhado para criar condições em que tens de pensar, escolher e assumir a autoria da escolha.

03 / Aquilo que sabes importa. Aquilo que os outros sabem também.

Uma disciplina consegue ver uma parte do problema. Uma equipa consegue ver mais.

No mundo real, os problemas não chegam organizados por cursos.

Um problema de água também pode ser um problema de energia, comportamento, economia, legislação, território, saúde, comunicação ou confiança.

Uma solução tecnicamente brilhante pode falhar porque ninguém a consegue pagar.

Porque ninguém a quer usar.

Porque a lei não a permite.

Porque prejudica outro sistema.

Porque resolve uma coisa e cria três novos problemas.

É por isso que Mars Challenge coloca conhecimentos diferentes na mesma mesa.

Não para que toda a gente saiba o mesmo.

Mas precisamente porque não sabe.

A pergunta deixa de ser:

“Quem sabe mais?”

E passa a ser:

“Que parte do problema só tu consegues ver — e que parte só outra pessoa consegue ver?”

Nas fases nacionais e internacionais de 2026, esta diversidade deixa mesmo de ser opcional: as equipas têm de integrar pelo menos três áreas de conhecimento diferentes.

04 / Vais começar por ti. Depois começa o problema.

Antes de construir uma solução, tens de descobrir o que tens para oferecer.

A experiência de participante de 2026 percorre 12 fases.

E a primeira não começa em Marte.

Começa contigo.

Primeiro, cada pessoa identifica as suas forças e aquilo que ainda precisa de desenvolver.

Depois a equipa distribui funções.

Começam as ideias.

Investigam.

Tentam perceber quem é afetado pelo problema.

Definem qual é realmente o problema — antes de se apaixonarem pela primeira solução.

Exploram alternativas.

Constroem.

Recebem feedback.

Voltam atrás.

Corrigem.

Apresentam.

O processo não está desenhado para premiar quem chega mais depressa à primeira resposta.

Está desenhado para obrigar a equipa a construir profundidade antes de construir confiança.

Podes voltar a fases anteriores.

Podes mudar.

Podes descobrir que a primeira ideia estava errada.

Isso não significa que o processo falhou.

Significa que estás a aprender.

05 / No fim não entregas uma opinião. Entregas trabalho.

Três entregáveis tornam o teu processo visível.

Na experiência de participante de 2026, a equipa constrói três peças principais:

1. Documento Conceito

Não é apenas um relatório final.

É o registo do caminho: investigação, imagens, decisões, ideias abandonadas, versões, feedback e aquilo que a equipa aprendeu.

2. Protótipo

Uma representação da solução suficientemente clara para que outra pessoa consiga perceber como funciona.

Pode assumir diferentes formas consoante o projeto.

Não precisa de fingir que já é um produto acabado.

Precisa de tornar a ideia testável e compreensível.

3. Apresentação

Tens de conseguir contar o problema, a decisão e a solução com clareza.

Na experiência de 2026, a apresentação presencial pode ter até cinco minutos perante o júri, seguida de perguntas.

O resultado não é apenas uma ideia na tua cabeça.

É um rasto visível do teu trabalho.

06 / Marte é o teste. A Terra é a responsabilidade.

Porque é que alguém te manda resolver um problema em Marte?

Porque Marte não perdoa soluções preguiçosas.

Poucos recursos.

Ambiente hostil.

Isolamento.

Sistemas interdependentes.

Pouca margem para erro.

Quando retiras a abundância, és obrigado a perguntar:

O que é realmente essencial?

O que pode falhar?

O que depende de quê?

O que acontece se uma parte do sistema deixar de funcionar?

Quem assume a consequência?

Esta lógica chama-se Earth-Back Thinking.

Desenhas sob condições extremas em Marte.

Depois fazes o caminho de regresso:

o que é que esta solução nos ajuda a repensar na Terra?

Marte não é uma desculpa para fugir do nosso planeta.

É uma forma de o voltar a ver.

07 / A IA pode ajudar. A decisão continua a ser tua.

Podes usar inteligência artificial. Não podes entregar-lhe a responsabilidade.

A IA pode ajudar-te a investigar.

A gerar alternativas.

A organizar informação.

A visualizar um protótipo.

A testar argumentos.

A encontrar uma forma melhor de explicar uma ideia.

Na própria experiência de 2026, ferramentas de IA podem ser utilizadas para apoiar o desenvolvimento e a visualização de protótipos.

Mas há uma diferença entre usar uma resposta e saber se essa resposta merece confiança.

Quem define o problema?

Quem verifica as premissas?

Quem identifica o que a IA não sabe?

Quem percebe que uma solução entra em conflito com outra disciplina?

Quem decide entre duas alternativas imperfeitas?

Quem explica as consequências?

Tu.

Num mundo onde gerar uma resposta se torna cada vez mais fácil, o valor humano desloca-se.

Da resposta para o julgamento.

Do julgamento para a decisão.

Da decisão para a ação responsável.

É aí que a IA deixa de ser atalho e passa a ser ferramenta.

08 / Terás ajuda. Ninguém fará o trabalho por ti.

O mentor não é o autor do teu projeto.

Vais poder ter orientação.

Perguntas.

Feedback.

Acompanhamento.

Ajuda para perceber o processo.

Mas existe uma linha importante.

Os mentores e docentes não devem desenhar a solução pela equipa.

Não devem escolher por vocês.

Não devem escrever o projeto.

Não devem transformar a experiência num exercício em que o adulto sabe a resposta e vocês tentam adivinhá-la.

A autoria pertence aos jovens.

Isso torna tudo mais difícil.

E é exatamente essa a ideia.

09 / Uma grande ideia não chega

O júri não avalia apenas se a ideia parece interessante.

Na edição 2026, os projetos são avaliados através de nove critérios com o mesmo peso:

Impacto Que diferença pode fazer?

Criatividade Há pensamento original ou apenas repetição do óbvio?

Design da solução A lógica está bem construída?

Culminação Até onde a equipa conseguiu desenvolver o projeto?

Aprendizagem É possível perceber que o processo mudou aquilo que a equipa sabia ou fazia?

Validade O problema está sustentado por informação e a solução demonstra pertinência e potencial?

Relevância técnica Faz sentido no contexto extremo de Marte?

Apresentação Conseguem explicar e defender a proposta com clareza?

Retorno à humanidade O que regressa desta ideia para a Terra?

Isto muda uma coisa importante:

não ganhas apenas por teres tido “uma ideia fixe”.

Tens de conseguir construí-la, fundamentá-la e defendê-la.

10 / O projeto pode continuar. Mas nada está garantido.

Mars Challenge tem diferentes fases e rotas.

A tua experiência pode começar numa instituição, numa convocatória, numa fase local ou através de outro mecanismo oficial.

Dependendo da rota, país e processo de seleção, alguns projetos ou participantes podem avançar.

Em 2026 existem duas rotas oficiais principais:

ORIGINALS

O projeto é o protagonista.

A mesma proposta pode evoluir ao longo das fases e chegar a uma defesa internacional.

CHAMPS

O protagonista é o participante enquanto representante.

Novas equipas podem ser formadas ao longo dos Challenges e os participantes selecionados podem continuar através dessa rota.

As fases podem ligar contextos locais, nacionais e internacionais.

Mas existe uma regra simples:

entrar no Mars Challenge não significa automaticamente chegar à fase seguinte.

Nem chegar à fase nacional garante a internacional.

Nem participar garante um prémio.

O avanço depende das regras, avaliações e processos de seleção aplicáveis.

11 / O que levas contigo não cabe num prémio

O prémio pode existir. Mas não é o centro da experiência.

Se completares o processo, não terás apenas “participado”.

Terás passado por uma sequência em que tiveste de:

identificar aquilo que sabes;

reconhecer aquilo que não sabes;

trabalhar com pessoas diferentes;

investigar;

separar factos de pressupostos;

escolher entre alternativas;

construir um protótipo;

receber crítica;

rever decisões;

explicar uma proposta;

responder a perguntas;

e tornar público o raciocínio da equipa.

Terás produzido evidência desse trabalho:

um processo documentado;

um projeto;

um protótipo;

uma apresentação;

feedback;

decisões registadas.

Isso não garante que saias “transformado”.

Não garante um emprego.

Não garante uma bolsa.

Não garante um prémio.

Mas dá-te uma oportunidade rara:

deixar de dizer apenas aquilo que achas que consegues fazer e colocar essa capacidade em contacto com a realidade.

Algumas convocatórias podem ainda incluir reconhecimentos, experiências, visibilidade, networking, mentoria ou certificações.

Mas esses benefícios dependem da fase, país e convocatória.

12 / Não estás a começar do zero

Antes de ti, milhares de jovens já aceitaram a missão.

Entre 2023 e 2025, a documentação do Mars Challenge regista:

2.000+ jovens

8 países participantes

240+ projetos documentados

Estes números não provam automaticamente impacto.

Provam algo mais simples e concreto:

há trabalho real produzido.

Equipas reais.

Projetos documentados.

Problemas investigados.

Decisões tomadas.

E uma comunidade sobre a qual podes construir a próxima etapa.

13 / Quem pode participar em 2026?

As regras dependem da edição. Estas são as condições gerais de 2026.

Idade geral

15 a 29 anos no momento do registo.

Existem exceções reguladas, analisadas caso a caso.

Área de conhecimento

Não estás limitado a engenharia, tecnologia ou STEM.

Podem participar jovens de diferentes áreas, perfis e interesses.

Tenho de estar a estudar?

Não necessariamente.

As regras de 2026 permitem participantes que estejam ou não a frequentar estudos formais, embora existam condições específicas de elegibilidade e algumas fases ou convocatórias possam definir requisitos adicionais.

Equipas

Nenhuma equipa pode ter mais de seis participantes.

Na fase local, a multidisciplinaridade pode variar de acordo com o contexto.

A partir da fase nacional, as equipas de 2026 têm de combinar pelo menos três áreas de conhecimento diferentes.

Menores de 18 anos

A participação está sujeita às regras legais e consentimentos aplicáveis.

Importante

As regras desta secção pertencem à edição 2026.

Não devem ser presumidas como regras permanentes de futuras edições.

14 / 2026: a missão chama-se Terra

Seis pessoas. Marte. Uma missão de aproximadamente dois anos. E um sistema essencial para a vida.

Em 2026, o Elemento Global é Terra.

Na narrativa da missão, uma tripulação de seis pessoas precisa de sobreviver e operar num ambiente marciano extremo.

Mas “Terra” não significa apenas solo.

Significa sistemas vivos.

Recursos.

Habitat.

Produção.

Resiliência.

Território.

Interdependência.

A tua equipa terá de escolher uma parte do problema, desenvolver uma proposta e mostrar duas coisas:

porque faria sentido sob as limitações de Marte;

e

o que pode devolver à Terra.

Esta segunda parte não é um extra.

Faz parte da missão.

15 / Se isto te incomoda um pouco, talvez seja para ti

Não tens de chegar preparado. Tens de estar disposto a entrar no processo.

Talvez ainda não tenhas uma ideia.

Ótimo.

Talvez não conheças ninguém de outras áreas.

Isso pode mudar.

Talvez aches que outra pessoa sabe mais.

Provavelmente sabe — sobre alguma coisa.

E tu saberás outra.

Talvez a tua primeira solução esteja errada.

É possível.

O Mars Challenge não precisa que chegues com a resposta.

Precisa que estejas disposto a:

perguntar;

investigar;

ouvir;

duvidar;

decidir;

construir;

testar;

mudar;

e assumir responsabilidade pelo que a tua equipa propõe.

Em 2026, a entrada pode acontecer através de convocatórias abertas ou processos oficiais de seleção definidos por Mars Challenge, parceiros nacionais ou organizadores autorizados.

O primeiro passo é descobrir qual é a tua porta de entrada.

16 / Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

Tenho de estudar engenharia?

Não. Em 2026, Mars Challenge aceita participantes de diferentes áreas de conhecimento, perfis e interesses.

Tenho de saber coisas sobre Marte?

Não. Vais precisar de investigar aquilo que for relevante para o teu desafio. A experiência foi desenhada para aprendizagem, não para exigir especialização espacial prévia.

Tenho de ser estudante?

Não necessariamente. As regras de 2026 permitem a participação de pessoas que estejam ou não em estudos formais, sujeitas aos restantes critérios de elegibilidade e às condições da convocatória aplicável.

Que idade tenho de ter?

Na edição 2026, o intervalo geral é dos 15 aos 29 anos. Existem exceções reguladas caso a caso.

Posso usar inteligência artificial?

Sim, ferramentas de IA podem ser utilizadas de forma responsável. Mas a equipa continua responsável por verificar informação, formular o problema, tomar decisões e defender a solução.

Posso participar sozinho?

Os Challenges funcionam através de equipas. A forma como és integrado numa equipa depende da fase e da convocatória. Em 2026, nenhuma equipa pode ultrapassar seis participantes.

A minha equipa tem de ser multidisciplinar?

Na fase local de 2026, depende do contexto. A partir da fase nacional, é obrigatório reunir pelo menos três áreas de conhecimento diferentes.

O mentor pode ajudar-nos a construir a solução?

Pode orientar, perguntar e dar feedback. A ideação, o design, o desenvolvimento e a apresentação pertencem à equipa jovem.

Toda a gente chega à fase internacional?

Não. A progressão depende da rota, avaliação e processos de seleção.

Participar garante um prémio?

Não. As regras oficiais deixam claro que a participação não garante prémios ou outros benefícios.

Então porque participar?

Porque é uma oportunidade de pôr conhecimento, criatividade, colaboração e julgamento em contacto com um problema que não traz a resposta escrita no fim do livro.