01 / Um percurso
Um percurso, não apenas um momento.
Mars Challenge não funciona como uma pergunta entregue de manhã e um pitch pedido ao fim do dia.
Pode haver momentos intensivos.
Pode haver prototipagem.
Pode haver apresentações.
Pode haver competição.
Mas o sistema é maior do que qualquer um desses momentos.
A lógica permanente é um percurso:
missão → problema → equipa → investigação → decisão → criação → retorno à Terra → feedback → iteração → evidência.
As formas concretas podem mudar de missão para missão.
O que permanece é a intenção de colocar conhecimento perante uma situação em que é preciso fazer escolhas.
02 / Entrar em missão
1. Entras por uma missão e um desafio.
O primeiro passo não é receber uma aula sobre a resposta.
É entrar num contexto.
Cada edição pode organizar diferentes missões e cada missão define o tipo de desafio, público, condições, calendário e percurso aplicáveis.
O desafio cria uma situação que precisa de ser compreendida antes de ser “resolvida”.
Que problema estamos realmente a enfrentar?
O que sabemos?
O que estamos apenas a assumir?
Quem é afetado?
Que recursos e limites existem?
Que informação ainda falta?
Antes de criar, é preciso perceber aquilo que merece ser criado.
03 / Equipa
2. O problema encontra uma equipa.
Os problemas reais raramente pertencem a uma só disciplina.
Por isso, Mars Challenge cria espaço para diferentes conhecimentos, experiências e maneiras de olhar para o mesmo problema.
Uma pessoa pode perceber a dimensão técnica.
Outra pode identificar um problema de comportamento.
Outra pode reconhecer uma questão económica, jurídica, cultural, ambiental ou de comunicação.
A equipa não existe apenas para dividir tarefas.
Existe para tornar visíveis os pontos cegos de cada pessoa.
As regras concretas de composição podem variar segundo missão, fase e edição. O princípio é não confundir uma perspetiva com o problema inteiro.
04 / Processo
3. O processo não é improvisado.
Mars Challenge utiliza um processo guiado.
Os participantes são levados a tornar explícito aquilo que normalmente ficaria escondido entre “recebemos o problema” e “aqui está a nossa solução”.
Como chegámos a esta definição do problema?
Que hipótese rejeitámos?
Que evidência mudou a nossa opinião?
Por que escolhemos esta alternativa?
Que limitações encontrámos?
O que alterámos depois de receber feedback?
Em implementações anteriores, esta lógica foi formalizada através de fases sequenciais com entregáveis específicos.
A estrutura detalhada pode evoluir entre missões e edições.
O princípio não muda: aprender não é apenas apresentar o resultado. É conseguir tornar visível o caminho que produziu esse resultado.
05 / Mentor
4. O mentor acompanha. A equipa decide.
Ter acompanhamento não significa receber a resposta.
O papel do mentor é ajudar o processo a avançar.
Pode fazer perguntas.
Pode facilitar reflexão.
Pode ajudar a equipa a organizar-se.
Pode chamar atenção para aquilo que ainda não foi considerado.
Pode promover colaboração e melhoria.
Mas não deve resolver o desafio, impor a sua própria decisão ou tornar-se autor do projeto.
A orientação existe para aumentar a capacidade da equipa — não para substituir a equipa.
Isto é importante porque Mars Challenge procura tornar visíveis as decisões dos participantes.
Se outra pessoa toma essas decisões por eles, desaparece precisamente a aprendizagem que queremos observar.
06 / Criar e regressar
5. Pensar torna-se algo que podemos ver e testar.
Uma ideia muda quando deixa de existir apenas numa conversa.
Mars Challenge leva as equipas a tornar o seu pensamento visível.
Pode ser através de um conceito.
Um modelo.
Um protótipo físico ou digital.
Um sistema.
Uma representação.
Uma proposta suficientemente concreta para que outras pessoas possam questioná-la.
Depois entra uma pergunta essencial:
o que regressa à Terra?
Earth-Back Thinking obriga a ligar aquilo que foi pensado sob restrições extremas a um contexto real.
Que aprendizagem é transferível?
Que problema vemos agora de outra maneira?
Que pressuposto mudou?
Que parte da proposta merece continuar a ser explorada?
Um protótipo não precisa de fingir que é um produto acabado.
Serve para tornar uma hipótese discutível, observável e melhorável.
07 / Feedback e avaliação
6. Feedback não é o fim. É matéria-prima.
Apresentar uma ideia não encerra o processo.
Expõe-na.
Outras pessoas fazem perguntas.
Critérios obrigam a equipa a justificar aquilo que propõe.
Aparecem fragilidades.
Pressupostos são contestados.
Novas evidências podem exigir mudanças.
É por isso que Mars Challenge combina avaliação com reflexão e feedback.
O objetivo não é apenas atribuir uma classificação.
É criar um momento em que a equipa precisa de explicar:
por que decidiu;
o que consegue sustentar;
o que ainda não sabe;
e o que faria diferente numa próxima iteração.
Uma boa pergunta pode melhorar mais um projeto do que uma resposta rápida.
08 / Progressão
7. Competir pode fazer parte do percurso. Não o define.
Algumas missões e percursos Mars Challenge podem incluir avaliação competitiva, seleção, etapas nacionais ou convergência internacional.
Isso não significa que Mars Challenge seja apenas uma competição.
A competição é um mecanismo possível dentro da experiência.
Pode criar pressão.
Pode tornar decisões públicas.
Pode comparar projetos segundo critérios comuns.
Pode abrir acesso a etapas seguintes.
Mas as regras não são eternas.
Elegibilidade, calendário, formato, progressão, número de etapas, critérios e reconhecimentos pertencem à edição e missão em vigor.
A página da missão diz como participas este ano. Esta página explica como funciona o sistema.
09 / Evidência e memória
O projeto acaba. A aprendizagem não tem de desaparecer.
Mars Challenge procura documentar não apenas aquilo que uma equipa apresenta, mas também aquilo que foi criado ao longo do percurso.
Projetos tornam-se unidades de memória do programa.
Permitem regressar a uma pergunta.
Comparar abordagens.
Observar aquilo que diferentes equipas imaginaram.
Relacionar projetos com missões, instituições, países e conceitos.
E, quando existe evidência suficiente, perceber melhor aquilo que o programa está realmente a produzir.
Isto exige uma distinção importante:
um projeto documentado não é automaticamente uma solução validada.
A memória deve preservar o que realmente existe — ideia, hipótese, protótipo, experiência ou evidência — sem o transformar em algo que ainda não é.
10 / Próximo passo
Não há um único caminho para entrar.
Mars Challenge pode começar de lugares diferentes.
Como jovem.
Como universidade.
Como escola.
Como docente ou mentor.
Como fundação ou organização.
Como cidade ou governo.
Como empresa.
Como investigador.
O mecanismo de aprendizagem é comum, mas a forma de entrar, o papel, a missão adequada e as responsabilidades não são iguais para todos.
O próximo passo não é ler todas as regras. É encontrar primeiro o teu lugar no sistema.
11 / Perguntas frequentes
Perguntas frequentes
Mars Challenge acontece num único dia?
Não necessariamente. O formato e a duração pertencem à missão, edição e modelo de implementação aplicáveis. Pode haver momentos intensivos, mas a lógica Mars Challenge é um percurso de aprendizagem e não deve ser reduzida à duração de um evento.
Mars Challenge tem sempre 12 fases?
A implementação 2026 documentou um processo de 12 fases. Isso é evidência histórica e metodológica importante, mas não deve ser assumido automaticamente como o número obrigatório para todas as missões futuras. A metodologia e as regras atuais devem ser consultadas para a edição correspondente.
Toda a gente compete?
Não necessariamente da mesma forma. Competição, seleção e progressão podem fazer parte de determinadas missões ou fases, mas a competição é um componente da experiência, não a definição de Mars Challenge.
É obrigatório trabalhar em equipa?
O trabalho em equipa é central em grande parte do programa, mas composição, número de participantes e requisitos de multidisciplinaridade podem variar por missão e fase. A regra válida é sempre a publicada para o percurso em causa.
Qual é o papel do mentor?
Facilitar o processo, promover reflexão, ajudar a equipa a organizar-se e melhorar — sem resolver o desafio nem assumir autoria sobre o projeto.
As regras oficiais estabelecem que o mentor deve facilitar reflexão, melhoria contínua e colaboração e evitar impor soluções ou decisões próprias; também afirmam expressamente que o mentor não é autor nem coautor dos projetos.
Todos os participantes têm de construir um protótipo?
A criação e prototipagem fazem parte do modelo documentado de Mars Challenge, mas o tipo de artefacto e os entregáveis concretos dependem da missão. Um protótipo pode ser físico, digital, conceptual ou assumir outra forma prevista nas regras.
Como é avaliado um projeto?
Mars Challenge utiliza avaliação estruturada e feedback. Os critérios exatos, pesos, entregáveis e formatos são matéria da edição ou missão aplicável e devem ser consultados nas respetivas regras oficiais.
Um protótipo apresentado em Mars Challenge é uma solução validada?
Não automaticamente. Um protótipo demonstra uma ideia, hipótese, sistema ou percurso de criação. Só deve ser apresentado como validado quando existe evidência específica que suporte essa afirmação.
A inteligência artificial pode ser utilizada?
A utilização de IA depende das regras da missão ou edição aplicável. Independentemente da ferramenta utilizada, a responsabilidade por formular o problema, verificar informação, decidir e defender as consequências do trabalho continua a pertencer às pessoas.
Toda a gente chega ao The Grand Jam?
Não. The Grand Jam é um evento de convergência relacionado com o ecossistema Mars Challenge. O acesso, quando aplicável, depende do percurso, missão e regras da edição correspondente.
