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ANCESTRAL

Povos Originários · Conhecimentos vivos. A construir o que vem a seguir.

Preservar a memória. Construir o futuro.

Falar de conhecimento indígena e futuro exige reconhecer os conhecimentos vivos dos povos originários e a sua autoridade para decidir o que se partilha, com quem e para quê. ANCESTRAL coloca essa decisão coletiva no centro do percurso.

A humanidade está a desenvolver tecnologias extraordinárias para imaginar o amanhã. Mas e se parte do conhecimento de que precisamos para construir um futuro melhor já existisse?

ANCESTRAL é uma missão global do Mars Challenge que abre o futuro aos sistemas de conhecimento vivo desenvolvidos, interpretados e renovados pelos Povos Originários ao longo de gerações.

Coloca os conhecimentos ancestrais em diálogo com a ciência, a tecnologia e os desafios contemporâneos — não para preservar uma imagem do passado, mas para ampliar a capacidade da humanidade de compreender, decidir e criar de forma responsável.

Nem tudo aquilo de que o futuro precisa está ainda por descobrir. Parte já está aqui.

Nesta página

02 / A QUESTÃO GLOBAL

O conhecimento que não podemos permitir-nos perder

Nunca tivemos tanta capacidade para gerar informação, simular futuros, automatizar decisões e desenvolver tecnologias.

No entanto, alguns dos desafios mais urgentes da humanidade — perda de biodiversidade, instabilidade climática, insegurança alimentar, degradação ecológica e governação da inteligência artificial — exigem mais do que cálculos mais rápidos.

Exigem memória. Contexto. Relações. Discernimento. Responsabilidade.

Ao longo de gerações, os Povos Originários desenvolveram sistemas vivos de conhecimento através da observação, da adaptação, das relações ecológicas, da língua, da experiência coletiva e da transmissão de saberes entre gerações.

Estes sistemas não são arquivos estáticos. Continuam a evoluir.

Quando uma língua desaparece, quando uma prática deixa de poder ser transmitida ou quando uma comunidade perde as condições necessárias para manter a sua relação com o território, a humanidade perde mais do que património cultural.

Perde formas de compreender o mundo — e possibilidades de construir o seu futuro.

476,6 milhões — Pessoas indígenas no mundo, estimativa de 2019.

90

— Países com povos indígenas.

Mais de 5.000 — Culturas e grupos distintos.

Fonte: estimativa global da OIT para 2019 e informação das Nações Unidas, conforme citadas no dossiê fundador de ANCESTRAL. Estes números são estimativas contextuais, não dados de participação no programa.

03 / A LIGAÇÃO AO MARS CHALLENGE

Uma mudança de perspetiva no espaço. Uma mudança de perspetiva no tempo.

O Mars Challenge utiliza Marte como ambiente extremo de aprendizagem. Ao imaginarem a sobrevivência com recursos finitos, sistemas interdependentes e restrições implacáveis, os participantes descobrem pressupostos que muitas vezes permanecem invisíveis na Terra.

Esta é a base de Earth-Back Thinking: aprender com condições extremas para repensar os sistemas que sustentam a vida no nosso planeta.

ANCESTRAL introduz um movimento complementar.

Em vez de olharmos mais longe no espaço, convida-nos a olhar mais fundo na memória humana.

Ambos os movimentos questionam a ideia de que os pressupostos dominantes de hoje representam todas as possibilidades.

O Mars Challenge pergunta o que precisamos de inventar. ANCESTRAL pergunta o que não podemos esquecer.

Ambas as perguntas são necessárias para construir um futuro responsável.

ANCESTRAL não é um programa educativo separado que funciona em paralelo com o Mars Challenge. É uma missão distinta dentro do mesmo sistema global de aprendizagem, que acrescenta outras formas de observar, interpretar e responder aos desafios da vida na Terra.

04 / MUDANÇA DE PARADIGMA

Da inclusão à autoria

Os Povos Originários não devem ser convidados apenas a participar em futuros concebidos por outros.

Devem poder moldar esses futuros através dos seus próprios sistemas de conhecimento, identidades, instituições e relações com o território.

ANCESTRAL questiona a ideia de que a inovação flui sempre numa única direção: do conhecimento especializado externo para as comunidades.

Em vez disso, a missão procura criar condições para que vários sistemas de conhecimento se encontrem sem exigir que um abdique da sua autoridade perante outro.

De · Para
DePara
Beneficiários da inovaçãoCoautores do futuro
Preservação de um passado imóvelContinuidade dos conhecimentos vivos
Transferência de soluções externasPartir do conhecimento já existente
Uma única forma dominante de conhecerDiálogo entre sistemas de conhecimento
Inovação definida pela novidadeInovação baseada na relevância e na responsabilidade

O objetivo não é ensinar as comunidades indígenas a imaginar o futuro. É garantir que o futuro não seja imaginado sem elas.

05 / QUADRO DE CONHECIMENTO

O conhecimento vivo é uma infraestrutura para o futuro

A memória não é apenas o armazenamento de informação.

Existe através das relações entre pessoas, línguas, territórios, práticas, valores e gerações. O conhecimento permanece vivo quando as comunidades conservam a capacidade de o interpretar, transmitir, questionar e decidir como pode ser utilizado.

01. Autoridade

As comunidades e os detentores legítimos de conhecimento mantêm a autoridade para determinar o que pode ser partilhado, como e com quem.

02. Contexto

O conhecimento não pode ser separado das histórias, dos lugares, das relações e dos significados que permitem compreendê-lo.

03. Transmissão

A aprendizagem liga gerações através de práticas vividas, do diálogo e da continuidade, e não apenas através da documentação digital.

04. Agência

Os jovens não são herdeiros passivos. Podem questionar, interpretar, criar e tomar decisões a partir das suas próprias identidades.

05. Futuro

O conhecimento vivo pode orientar novas decisões e inovações sem perder a sua origem, integridade ou governação legítima.

Partilhar conhecimento não significa abdicar da sua titularidade, autoridade, contexto cultural ou do direito de definir as condições de utilização.

Este princípio é fundamental para a legitimidade de ANCESTRAL.

06 / A EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM

Uma forma diferente de entrar na missão

Cada missão do Mars Challenge convida os participantes a investigar problemas, ligar ideias, tomar decisões, desenvolver propostas e refletir sobre as suas consequências.

ANCESTRAL mantém essa ambição educativa, introduzindo uma dimensão mais profunda de observação, diálogo intergeracional e responsabilidade perante os detentores de conhecimento.

A experiência fundadora é descrita através de sete movimentos interligados:

1. Observar · 2. Escutar · 3. Compreender · 4. Perguntar · 5. Ligar · 6. Criar · 7. Devolver

Estes sete movimentos constituem a perspetiva conceptual de ANCESTRAL. Não substituem a metodologia oficial do Mars Challenge nem estabelecem fases operacionais definitivas para 2027.

Os participantes começam pela sua identidade, experiência e território.

Deparam-se com uma questão relevante. Procuram vozes e evidências pertinentes, incluindo conhecimentos que as comunidades concordem em partilhar. Trabalham com outros jovens e disciplinas, ligam diferentes perspetivas e desenvolvem uma resposta.

Enfrentam também uma pergunta essencial que os programas convencionais de inovação podem ignorar:

Quem deve beneficiar daquilo que criamos e quem tem autoridade para decidir como será utilizado?

Pretende-se que a experiência culmine não apenas numa proposta visível, mas também numa aprendizagem que possa regressar de forma significativa à comunidade de origem.

07 / O QUE SE TORNA POSSÍVEL

O que se torna possível quando os sistemas de conhecimento se encontram?

ANCESTRAL não determina antecipadamente o que as comunidades devem criar. O seu valor reside em abrir um processo rigoroso através do qual diferentes tipos de conhecimento podem reformular tanto o problema como as respostas possíveis.

Projetos e protótipos. Soluções, desenhos ou modelos conceptuais desenvolvidos em resposta a necessidades reais e restrições identificáveis.

Perguntas que transformam o problema. Novas interpretações que revelam pressupostos ignorados e alteram aquilo que deve ser investigado.

Diálogo intergeracional. Encontros significativos entre jovens e detentores de conhecimento reconhecidos pelas suas comunidades.

Integração responsável do conhecimento. Colaboração entre ciência, tecnologia, design e conhecimento territorial sem apagar origens ou direitos.

Retorno definido pela comunidade. Aprendizagens, capacidades, relações ou recursos úteis cujo valor é determinado com a comunidade.

Aprendizagem institucional. Mudanças na forma como instituições educativas, organismos públicos e outras organizações compreendem as evidências e a participação.

Estas são formas de contribuição pretendidas, não resultados já demonstrados pela missão de 2027. A sua implementação e avaliação dependerão dos acordos e do quadro operacional desenvolvido com as comunidades participantes.

08 / ÉTICA E GOVERNAÇÃO

Conhecimento, direitos e responsabilidade

O diálogo entre sistemas de conhecimento não pode assentar na extração.

ANCESTRAL reconhece que ter acesso ao conhecimento não equivale a ter autorização para o reproduzir, digitalizar, comercializar ou redistribuir.

Uma missão credível orientada para o futuro deve proteger as pessoas e comunidades cujo conhecimento torna esse futuro possível.

Os seus compromissos fundadores incluem o consentimento livre, prévio e informado quando aplicável; o respeito pelos direitos coletivos e pelas estruturas legítimas de decisão; a atribuição e o reconhecimento; o controlo das utilizações permitidas; a proteção dos conhecimentos que devem permanecer restritos; e benefícios significativos definidos pelas comunidades.

Estes compromissos são informados por quadros internacionais, incluindo a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, o trabalho da UNESCO sobre conhecimentos indígenas e locais, as orientações da IPBES e os instrumentos relevantes da OMPI.

Não substituem os acordos com as comunidades, a legislação aplicável nem os mecanismos operacionais de proteção.

Aquilo que uma comunidade decide não partilhar merece o mesmo respeito que aquilo que decide contribuir.

09 / VALOR INSTITUCIONAL

Uma missão pública, não uma mostra cultural

ANCESTRAL cria uma oportunidade para ligar áreas das políticas públicas que demasiadas vezes são tratadas separadamente: educação, cultura, biodiversidade, participação juvenil, investigação, tecnologia e desenvolvimento territorial.

Para as instituições públicas, o objetivo não é patrocinar uma celebração simbólica do património ancestral.

É ajudar a criar condições para que os jovens e as suas comunidades possam participar na aprendizagem, na inovação e nas decisões orientadas para o futuro nos seus próprios termos.

Governos e autoridades públicas. Ligar a educação, as prioridades territoriais, a participação juvenil e a responsabilidade pública de longo prazo.

Parlamentos e instituições legislativas. Promover um diálogo informado sobre direitos coletivos, governação do conhecimento, equidade intergeracional e políticas futuras.

Organizações dos Povos Originários. Definir a participação, os limites do conhecimento, as prioridades comunitárias e as condições de colaboração legítima.

Universidades e instituições de investigação. Contribuir com rigor científico, métodos interdisciplinares e infraestruturas de aprendizagem, respeitando a autoridade das comunidades sobre o conhecimento.

Organizações internacionais e parceiros. Apoiar ligações entre educação, clima, biodiversidade, cultura, ciência e inovação responsável.

O Estado não fala em nome dos Povos Originários. O seu papel é ajudar a estabelecer condições de autonomia, acesso, proteção, recursos e continuidade.

10 / A LIGAÇÃO A 2027

Quando a inteligência artificial encontra o conhecimento vivo

MARS CHALLENGE · EDIÇÃO 2027

Quanta inteligência pode o planeta sustentar?

A edição de 2027 desafia os participantes a repensar a inteligência artificial dentro dos limites físicos, ambientais e humanos do nosso planeta.

Para ANCESTRAL, esta questão global abre outra pergunta igualmente importante:

O que acontece quando a inteligência artificial encontra sistemas de conhecimento que não foi concebida para compreender, representar ou proteger?

A inteligência artificial pode ajudar a traduzir línguas, analisar dados ambientais e criar novas oportunidades de aprendizagem. Também pode retirar conhecimentos do seu contexto, reproduzir representações incompletas ou facilitar utilizações que as comunidades não autorizaram.

ANCESTRAL introduz perguntas que devem ser consideradas antes de propor soluções tecnológicas:

  • Que tipos de conhecimento devem ser digitalizados e quais devem permanecer fora dos conjuntos de dados?
  • Quem tem autoridade sobre a interpretação e utilização do conhecimento comunitário?
  • Pode a tecnologia ajudar a sustentar a transmissão intergeracional sem substituir as relações que lhe dão sentido?
  • Como reconhecemos os limites dos sistemas algorítmicos e das interpretações humanas?
  • Como seria uma IA responsável concebida com, e não apenas para, as comunidades indígenas?

O objetivo não é idealizar o conhecimento ancestral nem rejeitar as tecnologias emergentes.

É investigar de que forma diferentes tipos de conhecimento podem contribuir para decisões responsáveis, preservando evidências, contexto, direitos e agência humana.

11 / ORIGEM E VISÃO DE LONGO PRAZO

De Chiapas a uma missão global

O momento fundador de ANCESTRAL ganhou forma em Chiapas, México, em 2026.

A conversa revelou a necessidade de ir além de convidar as comunidades indígenas a recordar ou representar o seu passado, permitindo-lhes participar na conceção daquilo que vem a seguir.

A ambição é global. O processo deve começar pela legitimidade, não pela escala.

  1. 2026 — Momento fundador. Chiapas: escuta inicial, relações e reconhecimento do propósito da missão.
  2. 2027 — Grupo fundador. Primeira coorte global proposta, deliberadamente limitada para construir uma orientação partilhada, salvaguardas e participação legítima.
  3. 2028 — Rede e capacidades. Ligações regionais, desenvolvimento de facilitadores e protocolos de retorno às comunidades.
  4. 2029 — Conhecimento e políticas públicas. Quando autorizado, ligar as aprendizagens aos desafios públicos da biodiversidade, do clima, da educação e da inovação responsável.
  5. 2030 — Memória viva no Mars Challenge. Construir uma rede cumulativa em que cada ciclo reforce as relações, a aprendizagem e as capacidades futuras.

Roteiro fundador e marcos pretendidos, não entregas confirmadas nem compromissos operacionais.

Nada recomeça do zero. Cada ciclo deve construir mais confiança, compreensão e capacidade para o seguinte.

12 / CONVITE FUNDADOR

Ajude a construir o que vem a seguir

ANCESTRAL está a entrar numa fase fundadora.

A ambição não é criar imediatamente a maior rede possível. É reunir comunidades, organizações e instituições dispostas a ajudar a desenvolver um modelo credível e respeitador dos direitos, capaz de crescer sem perder o seu propósito.

O convite dirige-se a conversas com organizações dos Povos Originários, governos, parlamentos, instituições educativas e parceiros internacionais interessados em ajudar a estabelecer as condições para a missão de 2027.

As manifestações de interesse não constituem candidaturas formais. As regras de participação, o calendário confirmado, os acordos e as salvaguardas para 2027 ainda dependem de publicação e validação.

O futuro não começa do zero.

Os jovens não são herdeiros passivos da história. Podem tornar-se autores do seu próximo capítulo.

O que precisa o futuro de recordar?